domingo, agosto 21, 2011

Barco sem porto


“Barco sem porto, sem rumo, sem vela, cavalo sem sela
Bicho solto, um cão sem dono, um menino, um bandido
Às vezes me preservo, noutras, suicido!”
- Zeca Baleiro

É assim que me sinto depois que você se foi, viver a sua vida, da maneira como quis. E esse é o preço que eu paguei por simplesmente te deixar ir embora. Tentei diversas vezes fugir de você, apagar você de minha memória. Não dá. Você simplesmente não se vai. E como pena pelo crime que cometi, por amar e acreditar na felicidade de nós dois, eu passei a vagar sem porto, sem rumo, sem vela, sem sela e sem freio nem arreio. Por vezes, eu morri em mim mesmo. Por outras, me guardei para morrer depois. Mas isso me fez vem.
Acreditei em você, e paguei a minha pena. Hoje sou um “bicho solto”. Voltei a ter meu espírito de menino, sem medo de ser taxado de bandido. Não fujo mais da sua memória. Eu as invoco só pro meu único e egoísta prazer. Sonho nossos sonhos de novo, realizando-os com outra, como você não quis. Falo o que você não quis escutar. Dou os beijos que não quis ganhar. Deleito-me em camas que não são as nossas. Faço juras de amor, olhando nos olhos que não são os seus. No final, bate em minha porta a dura e feliz verdade: Não preciso de você pra viver. É duro? Sim. Tentei fugir dela, mas, a verdade é como sol. Você pode se esconder dela por algum tempo, mas ela não desaparece.

Guilherme Assis