“Barco sem porto, sem rumo, sem vela, cavalo sem sela
Bicho solto, um cão sem dono, um menino, um bandido
Às vezes me preservo, noutras, suicido!”
- Zeca Baleiro
É assim que me sinto depois que você se foi, viver a sua vida, da maneira como quis. E esse é o preço que eu paguei por simplesmente te deixar ir embora. Tentei diversas vezes fugir de você, apagar você de minha memória. Não dá. Você simplesmente não se vai. E como pena pelo crime que cometi, por amar e acreditar na felicidade de nós dois, eu passei a vagar sem porto, sem rumo, sem vela, sem sela e sem freio nem arreio. Por vezes, eu morri em mim mesmo. Por outras, me guardei para morrer depois. Mas isso me fez vem.
Acreditei em você, e paguei a minha pena. Hoje sou um “bicho solto”. Voltei a ter meu espírito de menino, sem medo de ser taxado de bandido. Não fujo mais da sua memória. Eu as invoco só pro meu único e egoísta prazer. Sonho nossos sonhos de novo, realizando-os com outra, como você não quis. Falo o que você não quis escutar. Dou os beijos que não quis ganhar. Deleito-me em camas que não são as nossas. Faço juras de amor, olhando nos olhos que não são os seus. No final, bate em minha porta a dura e feliz verdade: Não preciso de você pra viver. É duro? Sim. Tentei fugir dela, mas, a verdade é como sol. Você pode se esconder dela por algum tempo, mas ela não desaparece.
Guilherme Assis
Domingo, Agosto 21, 2011
Barco sem porto
Marcadores: Amor, Amor - Dor, Gulherme Assis, Texto de amigos
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